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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O soldado agora é doutor


O soldado agora é doutor
As polícias militares brasileiras vivem em um momento de conflito: entre os princípios uniformizadores da formação militar e os princípios democráticos de garantia das individualidades. Com a facilidade de acesso à informação, não há mais exclusividade de conhecimento, algum consenso só é atingido com o diálogo, a formatação impelida pela cega disciplina só gera ebulições e contraprodução.
Neste contexto, o principal ponto de tensão se encontra na liberdade de expressão, insumo democrático ainda restrito entre os PM’s brasileiros. Isto porque em um ambiente onde se tenta reduzir as complexidades e perspectivas individuais a um modelo “ideal”, convenientemente adaptado ao prazer e às fragilidades de quem manda, os suspiros de protesto tendem a ser sufocados.
E é problemático excluir a livre expressão num mundo caracterizado pela fluidez de comunicação possibilitada, principalmente, pelas novas mídias. O limite de acesso a verdades históricas, políticas, técnicas e científicas é a vontade de cada um, de modo que as autoridades só se constituem como tal quando se empenham mais que os demais no entendimento de algum assunto.
Em batalhões de policiamento ambiental há soldados mestres em biotecnologia, em unidades operacionais mal administradas há doutores em administração. Como garantir alguma governabilidade em tão complexa estrutura agarrando-se à (i)lógica do “sim senhor/não senhor”?
A humildade, o reconhecimento de erros, o diálogo, a clareza e a construção colaborativa dos entendimentos parece ser o caminho para evitar colapsos. Não se trata de renunciar às prerrogativas existentes em cada grau hierárquico, mas de perceber quão inútil é tentar unificar a variabilidade de personalidades e opiniões em um mundo cada vez mais plural. Hoje não há fragilidade que dure alguns segundos escondida.
O ponto positivo disto é que há, nesta multiplicidade de características e visões de mundo, um potencial enorme a ser explorado e utilizado em favor das instituições policiais. Basta desistir de mutilar o que cada policial-ser-humano tem de peculiar.

2 comentários:

  1. ...e aonde estará o policial militar especialista em Segurança Pública? no combate a criminalidade? As ordens devem ser cumpridas ou discutidas? Devem passar por um laboratório e formatadas opiniões para se chegar a um denominador comum? E no terreno, no momento das ações, ordens terão que ser cumpridas ou haverão questionamentos? O modelo técnico científico é próprio para ações imediatas onde um comanda e outros cumprem ou praticaremos filosofia e sociologia em tais momentos? Bonita e liberal a tese mas aplica-se no terreno, no momento das ações, na determinação que deverá sair de um comandante? Porisso que a indisciplina está grassando nos quarteis, a hierarquia deu lugar as discussões teleológicas. Que somos? Aonde iremos?
    NÃO CONSIGO POSTAR DE OUTRA FORMA PORISSO POSTEI ANÔNIMO.
    Carlos Roberto Cláudio Brandão, Maj PM RNR, Procurador do Estado

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  2. Sinto isso na pele. j. Eustáquio

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