Diz-se que cada solução cria um novo problema, máxima que pode ser
observada em algumas corporações policiais militares que passam por
carências no tocante aos profissionais que coordenam a área de
policiamento de deteminada unidade. O remédio aplicado para amenizar os
efeitos da falta de profissionais em quantidade satisfatória traz
efeitos colaterais a médio-longo prazo.
Na estrutura militar, a figura do oficial de dia, oficial de
operações ou coordenador de área, como queiram chamar, é encarnada por
oficiais subalternos, em geral ocupando o posto de tenente, ou
aspirantes durante o estágio. Uma alternativa pensada para suprir a
lacuna pode ser a aplicação de subtenentes para exercer a função, porém,
eles possuem prerrogativa para lavrar auto de prisão em flagrante por
crime militar, por exemplo? Não, sendo assim, havendo esta necessidade
ao longo do serviço, algum oficial terá que ser mobilizado em sua folga
para proceder a ação. Além disso, é justo que o graduado requeira
compensação financeira, afinal sua remuneração foi estabelecida para o
desempenho de atribuições aquém da descrita.
Deste modo, pareceria ser acertada a escolha em formar grande número
de oficiais combatentes, capacitados e pagos para o exercício da função.
Mas com a disposição dos graus na escala hierárquica, como fica o plano
de carreira dos mesmos? Obviamente prejudicado, já que o grande
afunilamento vai provocar congestionamentos na sequência de promoções, a
ponto de fazer com que a permanência no mesmo posto extrapole níveis
aceitáveis, levando à desmotivação profissional. Quais alternativas se
tem para este obstáculo?
O Exército dispõe da figura do oficial R2, que permanece na ativa
temporariamente, com prazo máximo definido, o que visa suprir a demanda
do seviço sem provocar transtornos na perspectiva de ascensão dos
oficiais de carreira. Esta não costuma ser uma opção muito cogitada
pelas polícias, por razões diversas e justificáveis, então resta outro
caminho?
O quadro de oficiais auxiliares é composto por policiais experientes
que alcançam o oficialato em fase final da carreira, passando a
desfrutar dos privilégios e arcar com as responsabilidades das funções
de comando, assegurando uma reserva com melhores proventos. À medida que
mais oficiais auxiliares se formam, processa-se a progressão das
praças, trazendo novas perspectivas ao horizonte profissional, ao mesmo
tempo que supre-se a demanda já citada acima, sabendo-se que o tempo de
permanência não será tão longo, o que permitirá a outros a oportunidade
de também alcançar o posto.
Com ações nesse sentido, percebe-se que o problema é reduzido, quem
sabe até solucionado, ao tempo em que se constata a satisfação das
praças, em verem aumentada a possibilidade de progredir para faixas de
remuneração superiores, e dos oficiais, que enfrentarão menor
sobrecarga, além de menos competição e atraso nos interstícios de
promoção. A operacionalidade institucional, evidentemente, será
melhorada, com uma ambiência de satisfação maior entre comandantes e
comandados, além de minimizar os problemas de escala para tal função de
gestão.
Mas como foi que começou o texto mesmo? Dizendo que soluções trazem
consigo novos problemas. A caixa de comentários está logo abaixo, aberta
para que eles sejam apontados, pois não foi possível encontrar razões
fortes, sejam técnicas ou econômicas, para desacreditar na ideia
proposta.
Autor: Victor Fonseca - Tenente da Polícia Militar da Bahia | Contato: victor_ffonseca@hotmail.com